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CORAÇÃO ANGUSTIADO
 
Fátima Irene Pinto
     

     
  
  Sinto-me tão só!
     
    Esta estranha sensação de toque de recolher
   Esta nítida impressão de algo por acontecer
   Esta estranha opressão de fora para dentro
     Respiração presa, à mercê das moiras do tempo.
     
    Sinto-me tão só!
     
    Todas as cordas da alma, tesas
    As frágeis paredes já não detêm a represa
    E as águas encapeladas do meu descontentamento
    Vazam desordenadas,
    Encharcando a várzea soturna das minhas incertezas.
     
    Sinto-me tão só!
     
  Abandono-me assim, sem resistência
    Deixo vazar, deixo alagar, deixo inundar
    Solto-me fluida, em passiva aquiescência
    Enquanto a várzea encharcada
Bem baixinho rumoreja
     
Amar...
Amar...
Amar...