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Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
E dentro deles teu amor me espia.
Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo
de criação que anseia ser criatura
Tua mão contém a minha
é uma ave aflita
meu pensamento na tua mão.
Nada me dizes,
Porém entra-me a carne a persuasão
de que seus dedos criam raízes
na minha mão.
Teu olhar abre os braços,
de longe,
à forma inquieta do meu ser;
abre os braços e enlaça-me toda alma.
Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
que se vai abrir
todo meu corpo
em poemas. |