Mãe Antálgica

Denis Cavadas
 

 

Mãe! Meu sol, minha estrela!
Minha luz, minha guia!
Mãe, foste a coisa mais bela
Que Deus me ofereceu um dia.

Mãe, que em teu ventre me carregaste.
Tu, Mulher que me deste o viver,
Que em meus choros me embalaste,
Ser, a quem tanto devo que agradecer.

Mãe, que por mim passas-te noites acordada,
Que o teu velar era por mim constante,
Mãe, hoje tenho-te quase abandonada,
Longe de ti, por convertido em emigrante.

Mãe, que não merecias toda essa solidão.
Tu, necessitando de carinho e praticamente a sós!
Repartis-te com o mundo, dois pedaços de teu coração,
E junto a ti, em tua velhice, não tens nenhum de nós.

Em minh’alma mora esta profunda tristeza,
Mãe, de hoje tão longe de ti estar;
Também teu coração, sombrio está com certeza...
Quanto quisera mãe, neste momento te abraçar.

Mãe, são imensas estas minhas saudades,
Tamanha, que de minh’alma estão a transbordar.
Mãe, uma das minhas mais ferventes ansiedades,
Era junto de ti, a meu pai, esta imensa pena consolar.

Mãe, ter-te por mãe, foi uma oferta muito especial:
Dadiva sagrada que dentro de meu peito arrecado,
Deu-ma, Jesus menino, numa manha de Natal
E sei, que por ti mãe, sempre fui muito amado.

Porque meu pensamento tanta vez hoje em ti pousou,
Mãe, minha inspiração este poema te quis oferecer.
Sei que é modesto, oh mãe, o que aqui te dou,
Quando o mundo te devia dar em paga do meu ser.

Mãe, podem ser muitas mulheres,
Mas, mãe devotadas nem todas o são.
Mãe, não são mulheres quais queres,
Para se ser mãe antálgica, tem que haver devoção.

Que seja pois toda a mãe verdadeira,
Hoje, por cada filho condecorada.
Que no âmago a tenham sempre como primeira
E da vida, o ser, a mulher, mais amada.

Por todas as verídicas mães do universo
As presentes, as que na terra não estão:
Uma oração, uma salva de palmas vos peço
Mas que sejam do profundo do coração.

 

1º de Maio/2005 - New Jersey, EUA
Direitos reservados ao autor. 

 

 

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