Meu Cerrado

Neide Salles

 

 

Meu berço de criança livre,

Aconchego de mulher madura.

Incalculável o quanto busquei consolo

Observando seu horizonte infinito

Em momentos de angústia e solidão.

 

Em suas sombras fujo da civilização.

A paz interior, encontro em sua mutação,

Ora verdejante e florido,

Ora seco e retorcido para o mundo.

 

Porém retendo em galhos e raízes

A seiva da vida. Coberto por cascas grossas e cortiça

Que o salva do fogo e da destruição completa.

Essas árvores fortes comparadas pelo cronista

À Fênix...

 

Suas nascentes e cachoeiras possuem mistério,

Encantam andarilhos e místicos.

Seu pôr-do-sol e luar em outro “lugar não há”...

Meu cerrado, amado, em seus braços nasci,

Cresci correndo por seus vales,

Banhando-me em seus ribeirões e cachoeiras.

 

À sombra do ipê amarelo amei pela primeira vez,

Era amargo o pranto...

Minha primeira decepção de amor.

 

Hoje, como mulher sábia, retenho seus mistérios...

Vivenciando nossa cumplicidade e dualidade.

 Há! Meu cerrado mágico...

 

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Atualizado em 10 de dezembro de 2005.