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Meu Cerrado
Neide Salles
Meu berço de criança livre,
Aconchego de mulher madura.
Incalculável o quanto busquei consolo
Observando seu horizonte infinito
Em momentos de angústia e solidão.
Em suas sombras fujo da civilização.
A paz interior, encontro em sua mutação,
Ora verdejante e florido,
Ora seco e retorcido para o mundo.
Porém retendo em galhos e raízes
A seiva da vida. Coberto por cascas grossas e
cortiça
Que o salva do fogo e da destruição completa.
Essas árvores fortes comparadas pelo cronista
À Fênix...
Suas nascentes e cachoeiras possuem mistério,
Encantam andarilhos e místicos.
Seu pôr-do-sol e luar em outro “lugar não há”...
Meu cerrado, amado, em seus braços nasci,
Cresci correndo por seus vales,
Banhando-me em seus ribeirões e cachoeiras.
À sombra do ipê amarelo amei pela primeira vez,
Era amargo o pranto...
Minha primeira decepção de amor.
Hoje, como mulher sábia,
retenho seus mistérios...
Vivenciando nossa cumplicidade e dualidade.
Há! Meu cerrado mágico...

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