Revolta solidão revolta!
Mauro Veras



Minha solidão é revolta,
ave que se quer solta,
é tristeza revolta
ma(i)s brota da alma e não solta
- solidão de si mesmo!

Solidão requentada de ausências,
paladar de desistência;
solidão retumbante, dura,
para dar desespero;

solidão pura, imensa dor de cimento!

Nem portos ou navios apontando o horizonte
Nem ciência ou comprovação teórica
Nem morte ou expiação e seu desmonte
Nem vida ou desvios e curvas utópicas

nada detém o arremesso certeiro e por inteiro
em direção ao avesso isolamento

Um trem vagando na madrugada, lento,
por estações vazias, sem passageiros!

Solidão, companheira, perene e indesejada!
Faz do espírito a casa fria,
úmida, despovoada, sem janelas ligeiras ou ensolaradas!

Mas, o que há de brotar
quando ela ganhar estrada?
O que poderá preencher de luz
a noite insone e desatada?

Não se arvore em mentiras o poema,
em susto ou pudor! Antes me devore a dor erma
que desnuda, acaricia e consome ... com prazer!

Eu e minha solidão revolta,
ave que se quer solta
mas que arde em mim
como uma pira!

 

Direitos reservados ao autor.

 

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