ARTISTAS DEIXAM MARCAS
 
Fátima Irene Pinto

 
 
Ao invés de palavras candentes e indignadas e de desfiar um rosário de queixas e de lamentações, prefiro falar calmamente aos que me lêem, sem lograr com isto arregimentar multidões... apenas chegar aos corações em veemente exortação.
 
Artistas têm catarses, inspirações, lampejos que lhe são próprios, porquanto nascem de suas profundezas, de seus pensamentos e elucubrações. Nascem de suas vivências e experiências, brotam de seus sentimentos e de suas emoções.
Não importa se são lampejos singelos ou se são profundas e abrangentes visões.
 
Que ninguém tome para si o que a outro pertence, que ninguém se faça dono do alheio pensamento.
Que ninguém se julgue autor por fazer arranjos em cima de uma linha melódica, pois ainda que insira o melhor e o mais sofisticado arranjo, a linha melódica continua sendo de quem a criou.

O poema leva as marcas indeléveis de quem poetou, o quadro leva as nuances específicas de quem o pintou, a idéia primeva carrega os sinais de quem a pensou.
 
Muitas vêzes o artista roubado - eternamente perdido em sua arte e em suas criações - ignora que andam tomando para si os filhos seus. Muitas vêzes ele prefere ignorar porque cansa-lhe a Alma ter que gritar:
 - São meus!
 
Porém nada deve ser mais triste e constrangedor do que a desolação experimentada pelo usurpador ao ter que confrontar uma obra da qual, falsamente, ele se intitulou Autor.
 
  (Manifesto em defesa dos Direitos Autorais)
 
 Descalvado em 13.01.04