Ao invés de palavras candentes e indignadas e
de desfiar um rosário de queixas e de
lamentações, prefiro falar calmamente aos que
me lêem, sem lograr com isto arregimentar
multidões... apenas chegar aos corações em
veemente exortação.
Artistas têm catarses, inspirações, lampejos
que lhe são próprios, porquanto nascem de suas
profundezas, de seus pensamentos e
elucubrações. Nascem de suas vivências e
experiências, brotam de seus sentimentos e de
suas emoções.
Não importa se são lampejos singelos ou se são
profundas e abrangentes visões.
Que ninguém tome para si o que a outro
pertence, que ninguém se faça dono do alheio
pensamento.
Que ninguém se julgue autor por fazer arranjos
em cima de uma linha melódica, pois ainda que
insira o melhor e o mais sofisticado arranjo,
a linha melódica continua sendo de quem a
criou.
O poema leva as marcas indeléveis de quem
poetou, o quadro leva as nuances específicas
de quem o pintou, a idéia primeva carrega os
sinais de quem a pensou.
Muitas vêzes o artista roubado - eternamente
perdido em sua arte e em suas criações -
ignora que andam tomando para si os filhos
seus. Muitas vêzes ele prefere ignorar porque
cansa-lhe a Alma ter que gritar:
-
São meus!
Porém nada deve ser mais triste e
constrangedor do que a desolação experimentada
pelo usurpador ao ter que
confrontar uma obra da qual,
falsamente, ele se intitulou
Autor.
(Manifesto em defesa dos Direitos Autorais)
Descalvado em 13.01.04