CERTA MANHÃ...
Bhagwan Shree Rajneesh (Osho)
Certa manhã bem
cedo, antes do sol nascer, um pescador foi a um rio. Chegando
à margem, sentiu alguma coisa sob seus pés, e descobriu que
era um saquinho de pedras. Ele o apanhou e, colocando
sua rede de lado, sentou-se na margem do rio para esperar o
sol nascer. Esperava pela alvorada para iniciar seu dia de
trabalho. Preguiçosamente, pegou uma pedrinha de dentro do
saco e atirou-a à água. Depois apanhou outra e mais outra. Na
falta do que fazer, continuou jogando as pedras na água, uma
após a outra.
Lentamente, o sol
foi surgindo e iluminando. A essa altura, ele já havia jogado
todas as pedras, menos uma; a última ficou na sua mão. Seu
coração quase parou, quando viu, à luz do dia, o que segurava
nas mãos. Era uma pedra preciosa! No escuro, ele havia jogado
um saco inteiro delas! O que havia perdido sem saber! Cheio de
pesar, amaldiçoou a si mesmo. Lamentou-se, chorou e quase
enlouqueceu de desgosto.
Acidentalmente,
havia encontrado a possibilidade de enriquecer pelo resto da
vida, mas na escuridão, por ignorância, havia perdido a
chance. Por outro lado, ainda teve sorte: sobrara-lhe uma
pedra; a luz havia surgido antes que ele a tivesse jogado
também. Geralmente, as pessoas não têm tanta sorte.
Há escuridão por
toda parte e o tempo voa. O sol ainda não surgiu e já
desperdiçamos todas as pedras preciosas da vida. A vida é um
imenso tesouro e o homem não faz nada além de jogá-lo fora. No
momento em que compreendemos a importância da vida, o tempo já
passou. O mistério, o segredo, a graça, a redenção, o paraíso
- tudo é perdido. E a vida é desperdiçada.
Trecho do
discurso da repressão à emancipação.
2º Discurso
Gowalia Tank Maidan
29/Setembro/1968
Bombain
Retirado do
livro "Do sexo à supraconsciência"
9ª Edição, 1993, Editora Cultrix
