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O CAMINHO DO
AMOR
Pedro
César Alves
Por mais que procure ser fiel, talvez não
possa retratar o caminho perfeito do amor.
Um dos motivos seria que todos os seres
humanos são diferentes; ou a perfeição é a
palavra que o homem procura e está fora do
seu alcance.
Para vários transeuntes que andei
pesquisando sobre qual seria o caminho
correto do amor, não obtive respostas das
mais variadas. Um deles respondeu-me que o
caminho certo do amor seria aquele que
pintasse no momento. Outro disse-me que o
caminho perfeito do amor seria aquele que
começasse no olhar e terminasse no túmulo -
ou além túmulo - se existir vida após a
morte.
Um jovem respondeu-me que por mais
que nos esforçássemos para traçar o caminho
do amor, não conseguiríamos. O próprio Amor
é que traça o seu destino.
Como resposta obtive: 'O amor é tão
cruel que ao mesmo tempo que nos atravessa
com sua flecha, nos deixa'. Vejamos o porquê
desta bruta afirmativa. Quando 'ele' nos
fisga, o nosso coração não houve ninguém,
por mais absurdo que esse amor for, para nós
ele é perfeito. Não importa com o tamanho,
não importa-se com a origem, nem com o gênio,
nem com a diferença de idade. Quando nós
partimos em caminho da busca do amor não há
empecilho que nos faça parar. Lutamos.
Brigamos. Esquecemos pais, amigos, parentes.
Ora fazemos correto: ouvimos a voz do
coração. Ora o incorreto: não ouvimos
conselho de ninguém mesmo.
Com a flecha atravessada percorremos
inúmeros caminhos, encontramos a felicidade
momentânea (não há felicidade, existem
apenas momentos felizes) que enaltece o
coração. Outras vezes partimos loucamente em
busca deste cruel amor. Cruel amor feito
castelo medieval trancado a sete chaves.
Lutamos. Brigamos, esforçamos, afinal...
alcançamos. Batemos e a porta se abre. Mas a
insistência foi dura. E a surpresa ainda é
maior. Agora já dentro, sentimo-nos sós e
cheios de dor. Reina 'o silêncio e a
escuridão - e nada mais'. Estes fatos
mostram-nos quanto o amor é cruel.
Parei. Pensei. Concluí: o caminho do
amor chama-se mistério.

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