O último canto

Maria Goretti Queiroz

 

Canta, cisne, teu último canto
e acalanta teus sonhos de amor.
Canta, cisne, canta, por último pranto,
pelas tormentas do amor sofredor.

 

Canta, cisne, canta, e explode o peito,
em último estertor, pois gozo
e flagelo são filhos queridos
do mesmo senhor.

 

Mesmo que hoje, descrente, do canto
duvides, como bálsamo à dor
- por fas ou por nefas -, no entanto,
gargalha no teu último pranto, e canta,
canta e morre - morre de amor!

 

Poema retirado do livro
"O parto das flores".

Direitos reservados a autora.